Contratar uma agência de marketing ou estruturar a estratégia?

A empresa percebe que precisa melhorar o marketing.

Então surge uma solução bastante natural:

“Vamos contratar uma agência.”

Em muitos casos, essa é mesmo a decisão certa.

Mas existe uma pergunta anterior que costuma passar despercebida:

“Já sabemos exatamente o que precisamos que essa agência faça?”

Se a resposta for não, existe o risco de contratar execução antes de definir objetivos, público, posicionamento, prioridades, canais e critérios de sucesso.

Uma agência pode ser exatamente o que a empresa precisa. Mas também pode ser cedo demais.

A diferença está em entender qual problema a empresa está tentando resolver.

Neste artigo

  • Agência e estratégia resolvem problemas diferentes
  • Quando contratar uma agência faz sentido
  • Quando estruturar a estratégia primeiro
  • Você sabe exatamente o que precisa executar?
  • Existe um objetivo claro para o marketing?
  • O público e o posicionamento estão definidos?
  • As prioridades de marketing estão claras?
  • A empresa consegue avaliar o trabalho contratado?
  • Estratégia e execução não são opostas
  • O que fazer antes de contratar uma agência?
  • A pergunta certa não é agência ou estratégia

Agência e estratégia resolvem problemas diferentes

Estratégia e execução estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.

A estratégia ajuda a responder:

O que fazer?

Por quê?

Para quem?

Onde concentrar esforços?

O que priorizar?

A execução responde a outras perguntas:

Como fazer?

Quando fazer?

Quem fará?

Como operar?

Essa diferença parece simples, mas pode desaparecer quando uma empresa contrata uma agência sem ter clareza sobre o que espera dela.

Uma agência pode executar uma estratégia.

Uma consultoria pode ajudar a construí-la.

Uma empresa pode precisar das duas.

O problema aparece quando uma é contratada esperando que resolva o problema da outra.

Imagine uma empresa que diz:

“Precisamos melhorar nosso marketing.”

A agência pode transformar isso em campanhas, conteúdo, mídia, site e outras iniciativas.

Mas ainda restam perguntas fundamentais:

Melhorar para quê?

Para quem?

Em qual mercado?

Com qual posicionamento?

Com quais prioridades?

Sem essas respostas, a execução pode começar antes de existir uma direção suficientemente clara.


Quando contratar uma agência faz sentido

Contratar uma agência pode fazer muito sentido quando a empresa já possui uma boa parte das definições estratégicas.

Por exemplo:

  • os objetivos estão relativamente claros;
  • o público está definido;
  • o posicionamento está estabelecido;
  • os canais prioritários são conhecidos;
  • existe capacidade comercial para absorver demanda;
  • a empresa sabe o que espera da operação;
  • existe alguém capaz de acompanhar resultados.

Nesse cenário, o problema pode ser bastante objetivo:

“Sabemos o que precisamos fazer, mas não temos estrutura ou capacidade para executar.”

Aí uma agência é uma solução natural.

A empresa pode ter clareza sobre o caminho e buscar um parceiro para transformar essa direção em operação.

Isso vale para diferentes necessidades: conteúdo, mídia, SEO, desenvolvimento, automação, redes sociais ou outras especialidades.

O ponto não é decidir se agências são boas ou ruins.

É entender em que momento a empresa está.


Quando estruturar a estratégia primeiro

Existem situações em que o principal problema não é falta de execução.

É falta de direção.

Alguns sinais são bastante claros:

  • cada pessoa sugere um canal diferente;
  • não existem prioridades;
  • a empresa não sabe exatamente quem quer alcançar;
  • o posicionamento é genérico;
  • não há clareza sobre o papel do marketing;
  • o orçamento é definido sem critério;
  • os resultados são difíceis de interpretar;
  • a empresa troca constantemente de iniciativa;
  • a agência anterior “fazia coisas”, mas ninguém sabia exatamente por quê.

Nesse cenário, adicionar mais execução pode aumentar a quantidade de atividade sem resolver o problema original.

A empresa passa a produzir mais, anunciar mais ou publicar mais, mas continua sem saber se está fazendo as coisas certas.

Se o problema é falta de direção, adicionar execução pode aumentar a atividade sem resolver o problema.

É aí que uma etapa de planejamento estratégico pode fazer diferença.


Você sabe exatamente o que precisa executar?

Essa é uma das primeiras perguntas que a empresa deveria fazer antes de contratar.

Se a resposta for:

“Precisamos melhorar nosso marketing.”

isso ainda não é um briefing suficientemente claro.

É preciso chegar mais perto de uma definição como:

“Precisamos aumentar nossa presença entre determinado público, fortalecer determinado posicionamento e gerar oportunidades por determinados canais.”

A segunda formulação já oferece muito mais informação para quem vai executar.

Existe um objetivo.

Existe um público.

Existe uma direção.

Existem prioridades.

Quanto mais clara essa definição, mais produtiva tende a ser a contratação da execução.

Não significa que tudo precisa estar decidido antes de conversar com uma agência.

Significa apenas que a empresa deveria saber qual problema está contratando alguém para resolver.


Existe um objetivo claro para o marketing?

Marketing precisa estar conectado ao negócio.

Uma empresa pode querer:

  • crescer receita;
  • entrar em um novo mercado;
  • conquistar determinado perfil de cliente;
  • aumentar recorrência;
  • fortalecer seu posicionamento;
  • lançar uma nova oferta;
  • aumentar sua participação em determinado segmento.

Esses objetivos produzem estratégias diferentes.

Sem um objetivo claro, a agência pode acabar sendo avaliada principalmente por atividades:

posts, campanhas, tráfego, seguidores, acessos.

Essas métricas podem ser importantes.

Mas não respondem sozinhas à pergunta mais importante:

O marketing está contribuindo para aquilo que a empresa precisa alcançar?

A definição do objetivo ajuda a estabelecer também os critérios pelos quais a execução será avaliada.


O público e o posicionamento estão definidos?

Não é necessário ter um documento perfeito de personas antes de contratar uma agência.

Mas a empresa deveria conseguir responder duas perguntas básicas:

Para quem estamos falando?

e

Por que essa pessoa deveria escolher nossa empresa?

Se a primeira resposta for “todo mundo”, existe um problema de definição.

Se a segunda for apenas “porque temos qualidade”, “porque somos especializados” ou “porque temos bom atendimento”, provavelmente ainda existe espaço para aprofundar.

Posicionamento não é simplesmente escolher uma frase bonita.

É compreender como a empresa pretende ocupar determinado espaço na percepção de um público em relação às alternativas existentes.

Quando essas definições estão muito vagas, talvez exista uma etapa estratégica anterior à contratação da execução.


As prioridades de marketing estão claras?

Uma agência pode executar muitas coisas:

  • conteúdo;
  • mídia;
  • SEO;
  • social;
  • site;
  • automação;
  • campanhas.

Mas quem decide o que merece prioridade?

Essa pergunta é importante porque uma empresa quase nunca possui recursos infinitos.

Talvez o problema mais urgente esteja no posicionamento.

Talvez seja necessário reorganizar o site antes de aumentar a aquisição.

Talvez exista uma oportunidade específica de mercado.

Talvez a empresa precise fortalecer geração de demanda.

Talvez o gargalo esteja na conversão comercial.

Se a empresa espera que a agência descubra todas essas prioridades durante a execução, existe uma sobreposição de papéis que precisa ser esclarecida.

Uma boa execução começa com boas escolhas.


A empresa consegue avaliar o trabalho contratado?

Essa é uma consequência importante da estratégia.

Se a empresa não sabe:

  • quais resultados espera;
  • quais indicadores acompanhar;
  • qual horizonte de avaliação;
  • o que é prioridade;
  • quais hipóteses estão sendo testadas;

como saberá se a agência está fazendo um bom trabalho?

Isso não significa que todos os resultados possam ser previstos antecipadamente.

Marketing envolve hipóteses, testes e aprendizado.

Mas é muito diferente dizer:

“Vamos fazer marketing e ver o que acontece.”

de:

“Temos determinado objetivo, estamos priorizando determinada oportunidade, vamos atuar por estes caminhos e acompanharemos estes indicadores.”

A segunda situação permite aprender com a execução.

Ter estratégia também melhora a capacidade de contratar e avaliar fornecedores.


Agência ou estratégia?

Uma forma simples de avaliar o momento da empresa é responder às perguntas abaixo:

PerguntaSe a resposta for “sim”
Sabemos o que queremos alcançar?Execução pode fazer sentido
Sabemos quem queremos alcançar?Execução pode fazer sentido
Sabemos como queremos ser percebidos?Execução pode fazer sentido
Sabemos quais canais priorizar?Execução pode fazer sentido
Sabemos como medir?Execução pode fazer sentido

Quanto mais respostas forem “não”, maior tende a ser a necessidade de organizar a estratégia antes de escalar a execução.

Não é uma regra absoluta.

É uma forma de perceber onde está o principal problema.

Se as respostas já estão suficientemente claras, talvez seja hora de executar.

Se ainda existem dúvidas fundamentais sobre negócio, mercado, público, posicionamento e prioridades, talvez seja hora de entendê-las melhor.


Estratégia e execução não são opostas

É importante não transformar essa discussão em uma escolha permanente entre estratégia e execução.

Na realidade, as duas precisam se complementar.

Uma estratégia sem execução permanece no papel.

Uma execução sem direção pode consumir recursos sem produzir o efeito esperado.

O ideal é que exista uma relação contínua:

entendimento → decisão → execução → resultado → aprendizado → revisão

Isso também significa que uma empresa pode fazer planejamento estratégico e depois contratar uma agência para executar parte do plano.

Da mesma forma, uma agência pode participar da construção estratégica quando esse fizer parte de seu escopo e competência.

O ponto fundamental é deixar claro qual problema cada etapa está resolvendo.


O que fazer antes de contratar uma agência?

Antes de procurar fornecedores, vale responder algumas perguntas internamente.

1. O que queremos alcançar?

Defina o objetivo empresarial que o marketing precisa ajudar a atingir.

2. Quem queremos alcançar?

Identifique os públicos prioritários e, quando possível, como eles compram.

3. Como queremos competir?

Entenda o posicionamento, a proposta de valor e os diferenciais.

4. O que precisa acontecer primeiro?

Estabeleça prioridades.

5. Como vamos avaliar?

Defina indicadores e critérios de acompanhamento.

Você não precisa necessariamente ter todas essas respostas prontas.

Mas quanto mais importantes forem as dúvidas estratégicas ainda abertas, maior é a possibilidade de que o planejamento deva preceder a execução.


A pergunta certa não é “agência ou estratégia”

As duas coisas podem fazer parte do mesmo processo.

A questão é:

Qual problema sua empresa está tentando resolver agora?

Se o problema é capacidade de execução, uma agência pode ser o próximo passo.

Se o problema é falta de direção, talvez seja necessário estruturar a estratégia primeiro.

E se os dois problemas existem?

Estratégia e execução podem ser construídas em sequência.

O importante é não pedir para a execução responder sozinha a perguntas que deveriam ter sido discutidas antes.

LEITURA TAOC

Uma boa agência não deveria substituir a clareza estratégica da empresa. Deveria transformar essa clareza em execução.

Quando a empresa ainda não sabe exatamente onde quer chegar, talvez o primeiro trabalho não seja executar mais.

Seja entender melhor o caminho.


Ainda não sabe qual dos dois sua empresa precisa?

Comece pela leitura do negócio.

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